Engraçado como o ser humano acaba precisando do outro pra inúmeras coisas nessa vida. Andamos, andamos, e sempre há uma possibilidade da gente precisar de tudo de novo. Só que diferente. E sinto que às vezes, isso pode soar como um final de filme que termina com um poema, algo como o sentimento que é passado no final do filme Factotun, com aquele poema que te faz acender um cigarro e olhar pela janela de algum lugar para o mundo.

Um filho que tá pra vir, alguém que se foi, acabamos voltando para um lugar de origem, mesmo sem saber o motivo. Não sabemos por que ligamos pra alguém em tais situações, mas entendemos porque. Choramos em ombros desconhecidos, pedimos perdão mais de uma vez. E choramos de novo. Nem que seja de alegria, mas sempre queremos dividir com alguém. Sempre! Um sentimento bonito, um olhar de câmera de cinema, um quadro parado que retrata a cena de um modo geral. Ufa, é a vida mostrando sua cor, ou ate um mundo com nuances absurdas.

Tá ali, pulando na sua cara, você percebe tudo, faz sentido. É bonito, maravilhoso. As vidas indo e vindo de e por varias direções. As escolhas, os cheiros, as frustrações, as alegrias, tudo que vai com impulso demente, sem um norte. Só vai. E de repente as coisas se encontram de novo, uma lance meio orbital. Os corpos, as ideias, os planetas e cometas, tudo se chocando novamente de tempos em tempos. Cíclico talvez.

E a gente entende, é tudo muito rápido demais pra gente ficar nessa angustia de orgulho pra sempre. Somos tão pouco e breve com relação a essa existência, que passamos tempo demais em arquitetar as “coisas da vida”. E um livro pode ser tempo demais que se passa enquanto você olha para um pedaço de papel para assim te distrair quando você poderia estar olhando pra aquilo que mudaria a direção da sua vida. Somos só hoje, nada mais.

ganhei o mundo acendendo meu cigarro ao contrário. todos os vícios e neuroses cabem na minha cueca. nunca venci, e nem lutei por isso. quando dei por mim já era um omisso sem vaidade e com poucos amigos. a ideia central era ouvir e ler tudo e acabar logo com isso. porque não tinha porque e nem o pau enorme que me venderam num classificado pirata, que dizia que a garota logada era a mais safada e morava do meu lado, e que gozava num soneto furreca do glauco mattozo misturada na fúria do rimbaud em êxtase contra a própria cidade. nunca amadureci. morri no centro e na cama sem holofotes. meu gesto mais banal é capaz de causar mágoas imensuráveis . caguei. chorei. decorei versos que nunca me salvaram da banalidade de acordar. foda-se o yoga o pilates a aeróbica e a literatura de bom gosto. puxo carroça. é de sangue perder cabeça do lampião que é notícia no jornal nacional. nunca passei de um tchau. a obviedade do fósforo ruim ascendendo num apartamento qualquer da zona sul, que nunca cruzei. sou repetição da derrota dos que fugiram da seca pra comprar seu copo d’agua. minha luta é nula como meu suicídio que nunca veio ao som de smiths e paulo sérgio. por ora, me salvo. porque bebi bastante, li bastante, ouvi bastante e fumei bastante. a árvore que eu plantei tem nome e vícios a caminho: Monalisa. minha única alegria diante das dobras dos cotovelos e dos livros colecionáveis. aprendi a amar com ela. mas como tudo que acontece num domingo depois do fantástico, já era tarde. meu confronto é um coquetel molov aquecido no microondas.

Discutindo

Vai criança. Vai sem medo, ou vai sem crença de que eu sou seu Deus. E você já não acredita em mais nada. Eu te questiono sempre, eu te questiono sempre. Sobre o sentido do atrito, sobre o sentido do atrito. Que me julgou vencido. Que me julgou bandido. Que me julgou banido da sua vida. Criança. Sem medo. Sem crença. Eu questiono. O atrito que me julgou vencido. Que me julgou bandido, banido, cuspido, despido, caído, zumbido, bendito, maldito, maldito, maldito, maldito, maldito, maldito, maldito, maldito. E o maldito sou eu? E o esquecido sou eu. O inoportuno sou eu e o displicente sou eu. Já decidi ser ateu! Não me culpe pelas grosserias, são facetas do meu dia-a-dia. Não me culpe pelas grosserias...